A cidade

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Uma das primeiras vezes que respirei fundo e disse para mim mesmo “Nossa, fiz um bom trabalho”, foi como redator publicitário numa agência carioca que recebera a missão de, através de uma campanha, trazer mais turistas para a cidade. Foram 10 ou 20 anúncios, além de folhetos e painéis, cobrindo jornais, revistas, aeroportos e demais lugares onde o departamento de mídia ousou inventar/comprar espaço.

Eram títulos ufanistas, manchetes de uma cidade paraíso, que a todos convidava e re-batizava como cariocas. Lembro particularmente de um que dizia: “Uma cidade tão bem planejada que o filho do Arquiteto ficou com a cobertura”. Os tempos eram outros.

Como eram outros os tempos de seu início.

Os indígenas da bahia de Guanabara, brabos que só, conseguiram manter distantes os portugueses até 1560. Por aqui, ficaram os franceses. O começo da cidade como tal foi no Morro de São Januário, mais tarde conhecido como Morro do Castelo, e depois na Praça Quinze, até hoje o centro vital do Rio.

A cidade desenvolveu-se graças à sua vocação natural como porto. Na mesma época em que ouro foi descoberto no Estado de Minas Gerais, no final do século XVII, o Governador do Brasil foi feito vice-rei. Salvador era capital da colônia, mas a importância crescente do porto do Rio garantiu a transferência da sede do poder para o sul, para a cidade que se tornaria, e ainda é, o centro intelectual e cultural do país.

Daí, veio o Rei

Em 1808, a Família Real Portuguesa veio para o Rio de Janeiro, refúgio escolhido diante da ameaça de invasão napoleônica. Neste período a cidade se desenvolveu bastante, com a criação de novos serviços e construção de grandes edifícios. Quando a Família Real voltou para Portugal e após a independência do Brasil, em 1822, as minas de ouro já haviam sido exauridas e dado lugar a uma outra riqueza: o café.

O crescimento continuou durante quase todo o século XIX, inicialmente na direção norte, para São Cristóvão e Tijuca, e depois na direção da Zona Sul, passando pela Glória, pelo Flamengo e por Botafogo. No entanto, em 1889, a abolição da escravatura e colheitas escassas interromperam o progresso. Esse período de agitação social e política ocasionou à Proclamação da República. Mas o Rio, então chamado Distrito Federal, continuou sendo o centro político e a capital do país.

No começo do século XX surgiram as ruas largas e construções imponentes, a maioria no estilo francês fin-de-siècle. O Rio de Janeiro manteve sua posição até a inauguração de Brasília como capital da república em 1960.

De lá pra cá tivemos a década de 80 e 90 com suas administrações no mínimo complicadas e chegamos aos anos 2000 com uma imensa conta a pagar com o povo, com suas instituições. Devemos transportes, devemos segurança, devemos sucesso.

A cidade foi muito bem planejada pela natureza. Cabe a nós resgatar essa perfeição.

Mauro Amaralwww.contemconteudo.com

Fontes: RioTur, Rio Guia Oficial, Rio2016

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